A humanidade sempre reverenciou a beleza. Quem não se impressionou com a Vênus de Milo ou com as pirâmides do Egito? Muitos ficam literalmente estupefatos diante do Canto Gregoriano ou da exibição do “Fantasma da Ópera”, do genial Weber.
Pode-se até parafrasear as Escrituras, afirmando que o Belo move montanhas. Infelizmente, até os ideólogos de muitos regimes ditatoriais se imbuíram dessa verdade. Hitler, por exemplo, envolveu os horrores da doutrina nazista com os invólucros da beleza. A arte, a literatura e o cinema foram altamente manipulados pelo Führer, com vistas à conquista das consciências. Foi a sinistra utilização da beleza, a serviço da anti-verdade.
Muitos procuraram entender o Belo. Creio, porém, que sua mais completa definição esteja na afirmação de que é “a unidade na variedade”. Quanto mais variedade houver, mais próximo se está da beleza. Entretanto, uma variedade desconexa e dispersa não encanta. É preciso que algo lhe dê sentido e faça coerentemente a união entre as diferentes partes. Entra aqui o papel da unidade.
Entre as qualificações que podemos dar à democracia é a de que ela é bela, pois faz conviverem as diferentes linhas políticas em um só corpo, a nação. Do mesmo modo, podemos dizer que o Brasil é de uma beleza ímpar, já que nossas diferenças regionais estão unidas na formação daquilo que tanto nos orgulha: somos todos brasileiros.
Invariavelmente, os problemas surgem quando se viola uma das duas pontas do conceito: ou se quer a unidade sem variedade (aí surgem as ditaduras), ou se deseja a variedade sem unidade (aí os conjuntos se fragmentam). Essa regra é válida em qualquer circunstância e até mesmo em uma pequena sociedade, como é o convívio entre alunos em uma sala de aula, na qual a unidade é fornecida pelas mesmas metas a alcançar no campo educacional, enquanto a variedade está nas inúmeras diferenças, que precisam ser respeitadas.
O respeito às diferenças é, sob esse aspecto, uma das condições fundamentais para a existência do Belo. Muitas já analisaram a diversidade cultural sob outros pontos de vista: político e sociológico, por exemplo. Queremos ressaltar esse outro aspecto: se amamos a beleza, respeitemos as diferenças.
Parece-nos que, nesse mundo tão cheio de violências e de horrores, convém que alguns se levantem a favor do Belo e, em nome dessa bandeira, defendam a causa da diversidade cultural. Fazemos parte desse grupo. Estes somos nós.
